REVIEW – LIKE A DRAGON: PIRATE YAKUZA IN HAWAII
Às vezes, ousar levar as coisas em uma direção totalmente desconhecida pode acabar sendo uma escolha acertada. Quando soube pela primeira vez de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii, confesso que fiquei admirado e ao mesmo tempo preocupado com uma franquia que venho criando um carinho especial, seguir por um caminho tão inesperado, algo que eu nunca poderia ter imaginado. No entanto, resolvi dar uma chance ao jogo. E fico feliz por ter feito isso. Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii mostra exatamente o que acontece quando a RGG Studios decide se divertir de verdade.
Uma Franquia Sempre um Pouco Maluca
Se me perguntassem qual direção a franquia Like a Dragon poderia seguir, um spin-off com tema pirata jamais teria aparecido na minha lista. Mas aqui estamos. E contrariando minhas expectativas anteriores, Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é excelente em todos os aspectos. A franquia retorna ao combate mais focado em ação, algo que a tornou famosa, e ele está mais refinado do que nunca, refletindo uma qualidade quase impecável. Majima, o “Cão Louco de Shimano”, não deixou a idade lhe diminuir nem um pouco. Se tem algo que ele prova aqui, é que está mais forte, rápido e melhor do que nunca.
Embora já tenhamos controlado Majima por um tempo em em jogos anteriores da franquias (quando ela ainda era nomeada no ocidente como Yakuza), este é o primeiro jogo em que ele assume o papel principal. E, sinceramente, a história só poderia funcionar com ele como protagonista. Majima é o tipo de cara que se tornaria pirata, mesmo que isso fosse completamente contra o seu melhor julgamento. A típica dramaticidade de Like a Dragon segue-o nos mares abertos, e, como esperado de uma entrada tão peculiar, o enredo é recheado de momentos engraçados e absurdos, mas com os típicos reviravoltas e surpresas que a franquia sabe entregar. Para ser sincero, é uma das histórias mais “divertidas” que a RGG Studios já criou, mesmo que não seja necessariamente a mais forte no conjunto geral.
Mas, mesmo a história mais fraca de Like a Dragon é mais envolvente do que a maioria dos outros jogos no mercado, e aqui não é diferente. Do início ao fim, eu estava completamente imerso na trama. No entanto, a estrutura do jogo tem um ritmo um tanto peculiar. O Capítulo 1 leva cerca de uma hora e meia, enquanto o Capítulo 2 tem cerca de cinco horas. A variação no ritmo pode parecer estranha, mas não tira o brilho da experiência.
Combate Naval Surpreendentemente Sólido
O maior atrativo de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii, no entanto, é o combate naval. E posso dizer com sinceridade que é muito mais divertido do que eu imaginava. Após jogos como Skull and Bones, Pirate Yakuza in Hawaii faz justiça ao combate de piratas de uma maneira empolgante. Em vez de simplesmente controlar o navio, você pode sair da timoneira, usar um lança-foguetes contra inimigos, acelerar e fazer drift, além de embarcar no navio inimigo para derrotar os adversários. Isso é cinema puro, não importa onde você esteja nos mares.
O combate contra navios menores é rápido, mas é contra os Boss Ships que o sistema realmente brilha. Após uma batalha épica com tiros de metralhadora e canhões, você pode abordar o navio inimigo e, com um sistema de combate rápido e dinâmico, Majima pode se mover com precisão letal. Trocar entre seu estilo padrão e o novo estilo “Swashbuckler” (Espadachim) é rápido, eficaz e incrivelmente divertido. Combos de ar podem manter os inimigos flutuando no ar, como em um combate de Tekken, e a variedade de ferramentas e movimentos disponíveis é impressionante. O sistema de combate nunca foi tão bom.
Além disso, o jogo é recheado de atividades novas e antigas, o que garante uma experiência envolvente.
Personagens Secundários Carismáticos
A franquia Like a Dragon é famosa por criar alguns dos personagens mais adorados dos videogames, e Pirate Yakuza in Hawaii não é diferente. A equipe de Majima é composta por desajustados encantadores, e os vilões também são mais carismáticos do que nunca. Cada personagem traz algo especial para a história, que é completamente insana, mas ao mesmo tempo cativante, algo que só um jogo da série Yakuza poderia proporcionar.
Não poderia comandar um navio pirata sem uma tripulação, certo? Durante a exploração de novos e velhos locais, eu podia recrutar novos personagens para me acompanhar na aventura. Esses NPCs são tão divertidos quanto o elenco principal. Desde um Shinobi com uma dívida de $2.000 por um prato de carne até o 14º melhor anfitrião de Kamurocho, o jogo está repleto de histórias malucas que se tornam tão interessantes quanto a trama principal.
Além disso, Pirate Yakuza in Hawaii continua me surpreendendo com novas funcionalidades. As Ilhas do Tesouro, por exemplo, funcionam como masmorras ao estilo roguelike, e as Fazendas de Animais permitem que eu adote criaturas. O volume de conteúdo no jogo é impressionante, e para os fãs das atividades clássicas, o Arcade está de volta, melhor do que nunca.
Fan Service e Conteúdo Novo na Medida Certa
A quantidade de fan service em Pirate Yakuza in Hawaii é considerável, mas não de uma forma que prejudique a experiência geral. Pelo contrário, ela impulsiona a experiência para aqueles que já dedicaram seu tempo à franquia. Eu nunca imaginei que teria a chance de jogar Dress Up com Majima, mas aqui estamos nós.
Embora Like a Dragon seja conhecida por reutilizar ativos, há uma quantidade significativa de novos locais em Pirate Yakuza in Hawaii. No entanto, os velhos lugares familiares também retornam. Os fãs de Infinite Wealth e outros jogos da série certamente vão adorar essa nova entrada, embora ela não seja o melhor ponto de partida para novatos. No entanto, qualquer jogador curioso pode mergulhar na história, especialmente porque Majima, neste jogo, sofre de amnésia, o que torna a introdução acessível até para iniciantes.
Problemas Gráficos: Uma Lente que Precisa de Ajustes
Apesar de toda a diversão, há um aspecto que me surpreendeu negativamente em Pirate Yakuza in Hawaii: sua qualidade gráfica. Os jogos da franquia nunca foram os mais bonitos, mas sempre foram visualmente sólidos. No entanto, algumas partes deste título apresentam uma qualidade gráfica questionável, com texturas borradas e pixeladas. A iluminação, especialmente durante o dia, é excessivamente brilhante, a ponto de ser até cômica em alguns momentos. Mesmo com ajustes no brilho e HDR, a qualidade visual foi inferior em algumas partes quando comparado a jogos anteriores da franquia. Felizmente, as seções noturnas e oceânicas são bastante agradáveis.
Conclusão: Um Jogo Fantástico, Apesar de Alguns Problemas Gráficos
Apesar de alguns problemas gráficos, Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é um jogo fantástico. É uma história que só poderia ser contada neste meio, e eu adorei cada momento. E para a felicidade dos jogadores, o jogo inclui o modo New Game+ como parte do pacote, sem depender de DLCs.
Agora que me adaptei ao ritmo do mar, mal posso esperar para embarcar novamente e continuar a jornada com Majima e sua tripulação.
Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaiifoi jogado e analisado no Xbox Series X por uma chave de acesso enviada pela SEGA.