REVIEW – ASSASSIN’S CREED SHADOWS
O timing para meu review de Assassin’s Creed Shadows não poderia ter sido melhor. Se você conferiu a minha prévia – clique aqui para ler – viu que eu estava intrigado com a utilização de Naoe e Yasuke. Porém, foi só eu voltar para o jogo que o samurai estrangeiro foi liberado para eu controlar. Dessa maneira percebi que metade da gameplay é exclusiva da shinobi, enquanto a outra metade libera ambos os personagens. E isso deu mais gás para continuar jogando.
ATENÇÃO! Esse texto contém pequenos spoilers sobre Assassin’s Creed Shadows
Andando nas Sombras
Vamos direto ao ponto. Naoe é a verdadeira protagonista em Assassin’s Creed Shadows. Não só pelo fato dela ser a única personagem disponível por longas horas, mas também porque a narrativa acompanha a história passada e presente da pequena ninja. Quem espera controlar tanto Naoe como Yasuke logo de cara, vai cair do cavalo.
Dessa maneira a Ubisoft pode implementar e melhorar elementos de combate stealth. Essa é uma das mecânicas consagradas pela franquia e em Assassin’s Creed Shadows, o “jogar escondidinho” nunca foi tão essencial. Afinal, estamos falando de uma ninja. E como vocês sabem, mal conseguimos ver os seus movimentos.
Naoe é amiga das sombras e nas sombras deve permanecer. Invadir castelos na calada da noite, apagar as velas para passar despercebido e assassinar um inimigo de cada vez, nunca foi tão satisfatório. Naoe é silenciosa como um gato e sagaz como uma raposa. Porém, se o combate franco se apresenta, a shinobi possui um arsenal de dar inveja. Desde a clássica katana até a ágil kusarigama, Naoe é uma exímia lutadora com diversos apetrechos para deixar os inimigos perdidos e assim conseguir acabar com eles ou simplesmente escapar.
Com as famigeradas bombas de fumaça é possível sair de cena em momentos complicados. Apesar das habilidades, Naoe é frágil fisicamente e pode acabar subjugada se o cerco se fechar. E aí, meus amigos, é que a entrada de Yasuke faz todo sentido.
De Peito Aberto, Cheio de Amor Para Dar
Ao contrário de Naoe, Yasuke é o verdadeiro tanque. Desde suas armas – como a katana longa e o poder de fogo da teppo – até suas armaduras, o samurai não precisa de esgueirar pelas sombras. Ele consegue facilmente enfrentar vários inimigos ao mesmo tempo e continuar de pé.
Isso é muito bom, principalmente para jogadores como eu que preferem o combate mais direto. Invadir os castelos, por exemplo, para conseguir os melhores itens, é muito mais fácil com Yasuke. Porém, por outro lado, ele é desengonçado e lento. Escalar os pagodes em busca do ponto de observação, é uma verdadeira provação, além de ser engraçado vê-lo andar desequilibrado e se jogar lá do alto sem nenhuma técnica.
Por isso, sua chegada com mais da metade da campanha em andamento foi um acerto da Ubisoft. Enquanto Yasuke é o personagem ideal para enfrentar inimigos e invadir castelos, Naoe é perfeita para desbravar os cenários e realizar missões que necessitam uma abordagem mais silenciosa. Equilíbrio é tudo, jovem gafanhoto.
Nessa pegada, o combate em Assassin’s Creed Shadows, seja ele no escuro das sombras ou em plena luz do dia e cercado de inimigos, é extremamente satisfatório. Mais voltando para a ação do que para um combate cadenciado – como era lá atrás com os primeiros ACs – e sem as firulas vistas depois do reboot com AC Origins, o jogo se assemelha muito a títulos como God of War.
Apesar das árvores de habilidades de ambos os personagens serem grandes e cheias de ramificações, na hora do vamos ver o que vale mesmo é a habilidade de quem está no comando. E a possibilidade de usar diversas armas diferentes aumenta ainda mais o leque de opções e a vontade de experimentar cada uma delas.
Novos Desafios, Velhos Problemas
Assassin’s Creed Shadows tem uma nova leva de atividades paralelas a serem feitas. Naoe, por exemplo, pode visitar lugares específicos para realizar uma meditação e relembrar seu passado. Já Yasuke encontra mestres espalhados pelo mapa para aprender novos katas. De início é legal, ambos possuem uma espécie de minigame para completar o desafio. Mas a mecânica começa a ficar sem graça depois de um tempo.
Outro elemento que foi renovado é o sistema de administração e manutenção do esconderijo. Coisas como a forja e o acesso aos batedores é essencial para a continuidade da campanha. Mas o resto é apenas perfumaria que não agrega em nada. A não ser que você queira brincar de The Sims, essa mecânica é totalmente desnecessária. Era mais fácil visitar um ferreiro e as sedes dos Assassinos para alcançar o mesmo objetivo.
Outra novidade é a falta de indicação no mapa do próximo objetivo. Para chegar lá é preciso seguir a descrição da missão e ficar que nem uma barata tonta procurando o alvo ou então usar batedores para indicar com precisão o local. No começo do jogo isso é um problema já que esses NPCs são escassos e o uso deles é mais indicado para captar recursos para o esconderijo.
Dessa maneira me senti um pouco perdido nas primeiras horas em Assassin’s Creed Shadows e tive problemas em avançar na campanha principal. Por isso as missões secundárias se fazem presente para preencher essa lacuna. Mas ainda assim é preciso fazer o mesmo esquema. Ou seja, perambular perdidamente pelo cenário ou usar os batedores. É um círculo vicioso.
Para piorar, o jogo te obriga a subir o nível dos personagens para continuar na campanha principal. Vale destacar que é totalmente possível seguir em frente mesmo se Naoe e Yasuke estiverem alguns níveis abaixo do indicado, mas certamente o desfecho não será satisfatório. Por isso o jogo é recheado de missões secundárias. Só dessa maneira para grindar os níveis e conseguir avançar sem maiores problemas na campanha.
Absolute Cinema
O ponto alto em Assassin’s Creed Shadows é a narrativa. Usando como pano de fundo a escalada ao poder e a derrocada de Oda Nobunaga, a história é contada pelo ponto de vista de Naoe. Furiosa com a matança e a guerra civil que assola o Japão, ela promete vingança contra os assassinos de seu pai. Nada muito diferente de outros clichês que vemos por aí em filmes e jogos. Mas quando Yasuke surge, a maré dá uma virada incrível.
Sem entrar em muitos detalhes, o samurai que servia o daimyô Oda Nobunaga, aparece para dar uma reviravolta na vingança de Naoe. Com a queda de Nobunaga, a ninja descobre quem é o verdadeiro líder de seus inimigos e que ele estava mais próximo do que ela imaginava.
Dessa maneira, Naoe vira parceira de Yasuke com a promessa de acabar com os inimigos. Afinal, o inimigo de meu inimigo é meu amigo. A partir desse ponto a história de Yasuke se intensifica e o jogo ganha um gás essencial para seguir em frente. Talvez se o foco continuasse apenas em Naoe, pode ser que o trecho final ficasse sem graça, assim como foi em AC Odyssey e AC Valhalla.
Além da narrativa, outro ponto a ser destacado são os gráficos. Assassin’s Creed Shadows está muito bem acabado e rodando liso mesmo no modo qualidade. Quem gosta de ver tudo no mais perfeito detalhe em detrimento do frame rate, vai ficar satisfeito com os 4K pulando da tela. Como os cenários são cheios de cores, a beleza se destaca. O jogo ainda possui os modos equilíbrio e desempenho. Mesmo jogando nos 60fps com uma resolução mais baixa, o jogo continua muito bonito.
Conclusão
Assassin’s Creed Shadows realiza o sonho antigo de todo amante da franquia em ter um jogo no Japão Feudal. Naoe e Yasuke são personagens mais cativantes do que Eivor ou Kassandra/Alexios. O sistema de combate também ajuda muito com o foco na ação, sem falar nos gráficos que estão em um nível excelente. Porém, velhos problemas como um mapa grande cheio de nada, a necessidade de realizar missões secundárias só para subir de nível e um sistema de esconderijo que prioriza mais o visual do que a evolução dos personagens, me faz duvidar se Assassin’s Creed Shadows é um game para todos ou para quem é fã da franquia.
Este review de Assassin’s Creed Shadows foi feito com uma chave de acesso para o PlayStation 5 disponibilizada pela Ubisoft.