REVIEW – MARATHON

Personagem Runner de Marathon segurando uma arma em cenário sci-fi; anúncio do teste gratuito Server Slam para PS5, PC e Xbox.

Após um longo e conturbado ciclo de desenvolvimento, a Bungie finalmente lançou Marathon, sua nova aposta no competitivo gênero de extraction shooters. Cercado por expectativas — e por controvérsias — o título chega com a difícil missão de repetir o impacto de Destiny. Depois de algumas horas de jogo, a resposta é clara: Marathon é competente, mas dificilmente será um fenômeno de massa. Confira o review de Marathon.

Uma narrativa interessante… mas distante

Ambientado em Tau Ceti IV, o jogo apresenta um universo rico em lore e mistério. No entanto, assim como outros títulos modernos que apostam em narrativa fragmentada, a história não é entregue de forma direta. Grande parte da construção narrativa está escondida em descrições de itens, ambientação e pequenos detalhes — uma abordagem que lembra jogos como Dark Souls.

Apesar de funcionar para um público mais engajado, isso pode afastar jogadores que esperam uma narrativa mais acessível. Considerando o histórico da Bungie com storytelling em Destiny, fica a sensação de uma oportunidade parcialmente desperdiçada.

Captura de tela de Marathon exibindo a interface de combate e o ambiente de ficção científica do novo FPS de extração da Bungie.
Direção artística única

Visualmente, Marathon aposta em um estilo artístico bastante particular. Não é realista, tampouco cartunesco — é algo no meio do caminho, com identidade própria. Esse estilo pode causar estranhamento inicial, mas com o tempo, o jogador começa a entender a proposta. O mundo passa a fazer sentido e revela um charme único. Ainda assim, é justo dizer que não é um jogo que agrada de imediato.

Cena de gameplay de Marathon exibindo a interface de combate e o ambiente hostil do novo extraction shooter da Bungie.

Mapas bem construídos, conteúdo ainda limitado

Atualmente, o jogo conta com quatro zonas principais, cada uma com bom level design e identidade própria. O destaque vai para o Cryo Archive, que introduz elementos mais complexos como puzzles, cofres e exploração mais estratégica. No entanto, para um jogo live-service, o conteúdo inicial parece enxuto. A ausência de novas áreas até a terceira temporada levanta um alerta importante sobre a retenção de jogadores a médio prazo — um problema que já afetou diversos títulos do gênero.

Jogabilidade: o verdadeiro ponto forte

Se há algo que a Bungie domina, é o “feeling” do combate — e isso fica evidente aqui. A jogabilidade de Marathon é sólida, responsiva e recompensadora.
Mesmo com uma curva de aprendizado considerável, especialmente devido à quantidade de sistemas e mecânicas, o jogo se torna de difícil acesso a jogadores que estão entrando nesse mundo. Entretanto, com o tempo ela se torna natural — principalmente para quem já tem experiência com extraction shooters como Escape from Tarkov. Porém, existe um ponto crucial, Marathon não foi feito para ser jogado sozinho.

Experiência solo limitada

Enquanto Destiny conseguia equilibrar bem o jogo solo com atividades em grupo, Marathon deixa claro desde o início que seu foco é o multiplayer cooperativo. Jogar com um time coordenado transforma completamente a experiência — elevando tanto a profundidade estratégica quanto a diversão. É nesse cenário que o jogo realmente brilha. Por outro lado, jogadores solos encontram diversas barreiras como Matchmaking inconsistente com jogadores aleatórios, dependência de cooperação em um gênero altamente punitivo e uma progressão mais difícil e muitas vezes frustrante.

Até existe uma tentativa de contornar isso com a classe Rook, que permite uma verdadeira experiência solo. No entanto, as limitações são severas. Quem escolhe jogar com essa classe só pode entrar em partidas já em andamento, armas e equipamentos são apenas o básico, sem contar que a progressão é menos eficiente. Mesmo com pequenas vantagens táticas, como se disfarçar de inimigos controlados pela IA, essa opção parece mais um modo alternativo do que uma solução real.

Um futuro incerto para jogadores casuais

A forte dependência do multiplayer levanta uma questão importante. Como o jogo se sustentará ao longo do tempo? Em títulos live-service, a base ativa de jogadores é essencial. Caso ela diminua, experiências dependentes de cooperação tendem a se deteriorar rapidamente. Além disso, a decisão de resetar parte significativa do progresso a cada temporada — incluindo equipamentos — pode afastar jogadores mais casuais, que não conseguem acompanhar o ritmo constante de evolução.

Conclusão: potencial enorme, público restrito

Marathon é um jogo competente, com excelente jogabilidade, identidade visual marcante e sistemas profundos. Ele prova que a Bungie ainda é capaz de inovar fora da sombra de Destiny. No entanto, sua proposta é bastante específica. Marathon exige tempo e dedicação. Sem dúvida é um título altamente depende de jogo em grupo. Ou seja, para jogadores casuais ou com pouco tempo para dedicar aos games, Marathon pode pode ser frustrante. Isso faz com que o título dificilmente atinja o mesmo nível de popularidade de outros sucessos do estúdio. Ainda assim, há potencial. Com ajustes no suporte ao jogador solo, expansão de conteúdo e decisões mais cuidadosas no modelo de progressão, Marathon pode evoluir significativamente. Por enquanto, fica a recomendação clara: vale a pena — desde que você tenha com quem jogar.


Esta análise foi feita no PlayStation 5 através de uma chave de acesso fornecida pela Assessoria de Imprensa do jogo.

Marathon
  • 8/10
    Graficos - 8/10
  • 8/10
    Jogabilidade - 8/10
  • 7/10
    Enrredo - 7/10
  • 7/10
    Audio - 7/10
  • 7/10
    Diversão - 7/10
7.4/10

Sobre o Autor

Compartilhe esse post nas suas redes sociais

Leave a comment

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.