Crítica – Dr. Estranho no Multiverso da Loucura

Quando Kevin Feige trocou a direção do Scott Derrickson por Sam Raimi, por conta de “diferenças criativas”, ele sabia o que estava fazendo. Raimi levou o seu “terrir” à níveis nunca antes vistos e fez de Dr. Estranho 2 o melhor filme dessa nova fase do MCU. O diretor abriu a Caixa de Pandora do Multiverso e agora não tem como fechá-la! Confira a crítica de Dr. Estranho no Multiverso da Loucura.
CUIDADO! SPOILERS DE DR. ESTRANHO 2!
Multiverso sem pontas soltas
Os dez minutos de introdução de Dr. Estranho 2 é o suficiente para deixar qualquer filme da DC no chinelo. Não tem Batman cracudo que aguente a porrada dirigida por Sam Raimi. Logo de cara somos apresentados a uma nova personagem, America Chavez, e ao primeiro Stephen Strange do Multiverso.
A ação é tão frenética, os diálogos tão rápidos e os personagens são tantos (sim, os Illuminati estão lá), que achei que iria me perder nos conceitos da multiversalidade que explodiu de verdade no Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, como bem lembra o próprio Dr. Estranho. É verdade que na série do Loki (e eu acho que ele aparece no filme) a viagem entre universos está lá, mas ainda não houve uma real ligação com o MCU.
Pois bem, Sam Raimi foi tão magnífico na direção de Dr. Estranho 2 que mesmo com tanta coisa acontecendo o filme nunca perde a linha, caminha entre o Multiverso com uma beleza ímpar e entrega a melhor película desta nova fase do MCU!
“Terrir” de qualidade
Se você não é familiarizado com a carreira de Sam Raimi, aí vai um breve resumo: Evil Dead e Homem-Aranha. O diretor começou nos cinemas no melhor estilo Cine Trash da Band. Evil Dead (traduzido porcamente para Uma Noite Alucinante) apresentou o ator Bruce Campbell que viria a ser o queridinho de Raimi. Campbell protagonizou os quatro filmes da franquia e a série homônima. E ao dirigir os três filmes do Homem-Aranha com Tobey Maguire, quem estava lá como participação especial? Mister Campbell! E claro que Raimi não deixaria o ator fora de Dr. Estranho 2. Ele está lá e com direito a uma hilariante homenagem ao seu personagem Ash Williams de Evil Dead.
Todo esse intróito foi para deixar bem claro que Dr. Estranho 2 transpira, transborda, ejacula Sam Raimi. Os ângulos das câmeras, os closes nos olhares, o gore grotesco, a aproximação rápida em alguns takes, o terror e o “terrir” que ele tanto se valeu em sua carreira são entregues aqui com máxima perfeição.
Senão vejamos: Olho gigante de Shuma Gorath caindo no meio de Nova York? Confere. Capitã Carter sendo fatiada ao meio pelo próprio escudo? Confere. O mesmo escudo cheio de sangue? Confere. Feiticeira Escarlate empapada de sangue no melhor estilo Carrie, A Estranha? Confere. Zumbis? Confere. Olhos em todos os lugares? Confere. Mão sinistra saindo de algum buraco estranho? Confere. Eu poderia fazer uma dissertação sobre as técnicas de Raimi, mas vamos ao que interessa, os personagens do Multiverso.
Nerdismo nível 1000
Quando o primeiro trailer de Dr. Estranho 2 foi divulgado com a presença de Patrick Stewart como Charles Xavier, eu já sabia que os Illuminati estariam no filme. Só não sabia quem seriam eles. Alguns membros originais como o próprio Xavier, o Inumano Black Bolt (Raio Negro) e, pasmem, Reed Richards (com John Krasinski confirmado no papel do Dr. Fantástico, e nessa hora a minha sala veio abaixo), estão lá. Já a Capitã Carter vinda diretamente da série What If…, Mordo como Mago Supremo desse Multiverso e Maria Rambeau como Capitã Marvel, fecham o grupo que, não por acaso, ainda tem a assistência de Ultron. Infelizmente, Tony Stark não deu as caras.
Sem dúvida as sequências com o grupo são uma das melhores do filme. Todo o diálogo apresentando o “nosso” Stephen Strange bem como a chegada dos membros dos Illuminati, é um prato cheio para o nerdismo. De quebra, a Feiticeira Escarlate chega para acabar com a festa e com todos, eu disse todos os personagens deste seleto grupo. É isso mesmo, Wanda “fucking” Maximov não deixou nem a mente mais poderosa do universo descansar em paz. Ela simplesmente dizimou os Illuminati. Ou seja, ela é a vilã do filme.
Dr. Estranho e Feiticeira Escarlate
Esse poderia muito bem ser o nome da película. Após a belíssima introdução ficamos sabendo que a Feiticeira não sossegou depois do que fez em Westview (fatos da série WandaVision) e ainda mantém a vã esperança de recuperar os seus filhos (criados por magia) de volta. Para isso ela não mede esforços e vai atrás da America Chavez para tomar dela o poder de viajar entre os Multiversos. E eu achando que o vilão seria o Mordo.
Nessa viagem maluca com direito a Multiverso estilo desenho animado, pinturas num quadro, vida submarina e até alguns cenários conhecidos do MCU, vamos sendo levados, e desculpem o clichê, numa montanha-russa maluca. Raimi se vale de tudo o que Kevin Feige planejou durante anos e acrescenta muito mais.
A luta entre os Doutores Estranhos ao som de músicas clássicas é uma das coisas mais espetaculares do cinema. Obra de arte! O corte rápido entre as mentes de Wanda e Feiticeira é de arrepiar o cabelo. As atuações de Benedict Cumberbatch e Elizabeth Olsen são precisas. Aliás, o que a Marvel tem conseguido com o seu elenco não é brincadeira. Vide a série Cavaleiro da Lua com o soberbo Oscar Isaac.
Queremos mais
Lógico que o final do filme deixa aquele gancho para a próxima aparição do Dr. Estranho. E mais, sabemos que ele de alguma forma absorveu os poderes de um rival no Multiverso e ainda somos apresentados à personagem Clea (Charlize Theron) que é ninguém menos que a sobrinha de Dormammu. Além de ter uma ligação com o vilão do primeiro filme, ela chega rasgando o tecido do espaço/tempo usando uma espada que, se for seguir a linha das HQs, foi criada pelo próprio Steven para salvar o universo.
Mas isso é uma crítica para outra ocasião. Se você, assim como eu, acompanha avidamente o MCU desde o seu início, consumiu as séries mais de uma vez, é louco pelas histórias do Dr. Estranho e gosta de toda a lore da Marvel, com certeza você irá sair do cinema com o cérebro a mil por hora. Sam Raimi abriu a Caixa de Pandora do Multiverso e agora não tem como fechá-la!
