Crítica – Thor: Amor e Trovão

Após ver Dr Estranho 2 e Thor: Amor e Trovão, tenho certeza de uma coisa, Kevin Feige está tão confiante em seu trabalho como produtor/criador do MCU, que está dando carta branca para todos os diretores. Enquanto Sam Raimi foi ao extremo do experimentalismo com o Multiverso da Loucura, Taika Waititi se livra de várias amarras e nos brinda com um filme onde o amor sempre vence!
CUIDADO! SPOILERS DO FILME THOR: AMOR E TROVÃO
MCU, mas nem tanto
Não tem como negar que Thor: Amor e Trovão é MCU. Afinal, o filme segue Odinson após os eventos do Ultimato. Porém, diferente dos anteriores, este não tem tantos acontecimentos que possam influenciar no universo criado por Kevin Feige. Pelo menos, não por enquanto. É um filme que funciona sozinho, mas que poderá fazer mais sentido dentro do MCU quando os futuros títulos da casa forem lançados, como Guardiões 3 e a sequência de Pantera Negra.
Tirando as cenas pós-créditos (são duas), o filme tem começo, meio e fim. A cartilha clássica de Hollywood. O roteiro escrito por Waititi é simples mas poderoso. Não tem pontas soltas e não fica enrolando com um possível drama para Jane Foster (Natalie Portman). Taika fez questão de explicar tudo para não deixar o espectador frustrado, e conduz a aventura com muita comédia, sem tempo para choros e despedidas.
Thor (Chris Hemsworth), como não poderia deixar de ser, é o grande destaque. O objetivo principal do Deus do Trovão é procurar o seu lugar no cosmos. Após perder tudo (mãe, irmão, Asgard, Jane) ele está sem rumo e vivendo as aventuras dos Guardiões da Galáxia. Mas como a vida de herói não tem pausa, ele logo se vê obrigado a encarar Gorr (Christian Bale), o Carniceiro dos Deuses.
Tudo junto e misturado
A Marvel já mostrou que não tem planos para deixar o MCU morrer. Cavaleiro da Lua e Kamala Khan abriram a porteira dos deuses de outras mitologias. Dr Estranho no Multiverso da Loucura, abriu os caminhos para, óbvio, o multiverso. E tudo isso se encontra da Cidade da Onipotência, uma das melhores cenas do filme.
Zeus (Russell Crowe), o deus dos deuses, é o grande líder desse Panteão que abriga deidades egípcias, mexicanas, gregas, romanas e uma variedade de seres interplanetários! Ou seja, é uma mistura louco que poderia acabar numa orgia maravilhosa. Mas não. Thor e companhia estão ali para pedir ajuda de Zeus para montar um exército contra Gorr. Mas o dono do Monte Olimpo, que só quer saber de putaria, não oferece a ajuda. Pelo contrário, o pau come com direito a muito sangue dourado.
Com dois Thors em campo, mais o gigante de pedras Korg (voz de Taika Waititi) e a Rainha Valquíria (Tessa Thompson), a treta rola solta com direito a muitos raios rasgando o ambiente e um Mjolnir mais poderoso do que nunca. A sequência é de tirar o fôlego e muito bem coreografada. Taika já havia mostrado seu talento para lutas em Ragnarök e aqui as coisas só melhoram.
O amor salva
A grande mensagem do filme é que o amor salva, mas também machuca. Gorr se transforma no Carniceiro para matar todos os deuses e assim vingar a morte de sua filha. Ambos eram os últimos de uma raça que adoravam um deus malandro que no final não quis salvar a garota. Jane Foster, como Poderosa Thor, se sacrifica para salvar o seu amado. Até Korg entrou na roda para depois encontrar a sua alma gêmea.
E mais uma vez Kevin Feige e Taika Waititi mostraram que a Marvel, assim com o MCU, estão brigando duro para trazer às telas o amor incondicional, verdadeiro e sem preconceitos. Sem medo, o filme entrega várias cenas do tipo como o galanteio da Valquíria em cima de algumas ninfas, Zeus todo serelepe com o seu saiote, e, para mim, a melhor cena de todas, Korg com o seu namorado numa piscina de lava.
Marvel e Disney (leia a crítica de Lightyear) estão na vanguarda do entretenimento. Já se foi o tempo onde herói bom era um homem de capa com cueca por cima da calça com medo de revelar sua verdadeira identidade. Hoje a diversidade é o que importa. E a inclusão desse tema no MCU não é feita de forma agressiva e fajuta, só para cumprir agenda. Muito pelo contrário. Tudo faz parte do contexto e é mostrado da forma mais natural possível.
Ragnarök é melhor
Se você chegou até aqui deve estar se perguntando: “Tá legal, mas o filme é bom?” Sim, muito bom. Mas Ragnarök é melhor. Como a terceira aventura de Thor já estava inserida no contexto da Guerra Infinita, Taika não precisou de muito para entregar o segundo melhor filme do MCU (Dr Estranho 2 é o primeiro, leia a crítica aqui). A dupla Thor e Hulk, mais a adição de Korg, Miek, Valquíria e muito diálogo nonsense, é de uma beleza ímpar. Sem contar todas as referências homenageando os grandes mestres Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber, criadores do personagem!
O que faz de Amor e Trovão ficar abaixo de Ragnarök, por incrível que pareça, são algumas escolhas de direção. Por exemplo, as duas cabras da internet que gritam sem parar o filme todo. Pela primeira vez é legal, mas logo perdem a graça porque o timing das aparições não é dos melhores. Até Jane Foster, como Poderosa Thor, deixou a desejar em alguns momentos. Suas lutas são perfeitas e a introdução da personagem é precisa. Mas toda hora ela quer encaixar uma frase de efeito ou uma piadinha que quebra a tensão em alguns momentos.
Thor: Amor e Trovão, que tem seu título explicado nos minutos finais, e é muito bonito, é perfeito para a família. Tem piada, tem criança, tem cabra maluca e muita comédia. E quando o filme precisa ser sério, ele também é (como na cena toda em preto e branco), mas Taika Waititi dificilmente vai enveredar para um drama/terror mais consolidado como o de Sam Raimi. A pegada do diretor neozelandês é mais escrachada. Assistam a série O Que Fazemos Nas Sombras ou o filme Jojo Rabbit, para entender como a mente dele funciona.
